sábado, 4 de abril de 2015

do sobressalto




dois segundos

entre o sono profundo e o salto [susto]
saio da fase REM, caio na vigília torpe
tenho uma arma na mão
na verdade, é uma raquete elétrica,
ridícula e funcional.
de matar bichos
miro e acerto: no alvo
sei que detonei algo,
[ pode bem ter sido um mosquito,
aqui do lado tem um mangue, morada propícia ]
nem sobra de vítimas
resquício
asinhas, sangue
nada
pra contar história.

ok, vocês vão achar que era sonho
como naquele dia
que eu vi duas naves
verde fluorescentes
dando rasante aqui, no meu céu limpo
da varanda de fumar

tudo bem.
sei o que vejo, ainda não perdi a lucidez
(a não ser naquele dia, mas... isso é outra história... e pouca gente viu)

só preciso registrar, é exercício de evitar o Alzhaimer
(pela tendência, que se mostra forte)

believe or not believe
é outra pauta
outro patamar na lista
de prioridades


Ana F

quinta-feira, 19 de março de 2015

Poema Impublicável










Diagnóstico


Vê-se que o mal não é saudade
nem solidão ou carência
Está claro, trata-se aqui
de uma síndrome 
de abstinência

Recomenda-se terapia de choque: 
separação de corpos
tendo em vista a forte dependência
química, física,
emocional

O que os mantém unidos 
é a própria loucura,
o vício da carne 
e do pó

São cúmplices na insônia, 
na ressaca,
na sua mútua destruição
e só.



Ana F 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Sedada




Hoje a vida
me retém no casulo
bicho-confuso
o mundo me vê
mas não me vejo
o sangue flui torto
pelas veias

[ puro medo ]

um sentir contemporâneo:
o desconforto dos 'not-belonging'
o mal-estar do fora-de-foco

a vivência de pavores diários
a falta de sentido
a falta de sonhos
excesso de vazios..

Medos.

Todas as espécies de pânico
síndromes de vários tipos
ansiedade tá super 'IN'

Na meia luz
de doideiras
e exageros,
mais contras que prós,
imprevistos e vícios
já antigos.

Me perdi,
sou tantas coisas de uma vez
que depois esqueço.

[ intemporal ]

O dia de hoje podia muito bem ter sido um outro.
Amanhã vemos isso.


Ana F

quinta-feira, 5 de março de 2015

Bem se sabe que ali elas não prestam...







A névoa avançando feito praga do egito; seguimos num diálogo de surdos, amistoso no frio; além do fog londrino, o vento também nos cegava.
E era um lodo só, um pântano dantesco e umbralino, de onde se ouviam gargalhadas sonoras vindas não se sabe de onde, ecoando por todas as direções;
já não respirávamos, andávamos trôpegos, sôfregos, ofegantes de enxofre e naftalina.

Abriu-se um portal... e não era Nárnia, nem Avalon (embora as Brumas), mas um inferninho underground no subterrâneo de um galpão abandonado no meio do Triângulo das Bermudas.

E então, por não saber mais pra onde ir e inebriados pelo rarefeito ar, dançamos uma música inaudível. E dançamos tanto, a se enroscar [ pelos pêlos, pernas, cabelos], que nunca mais acordamos.

E eu sentia fomes. e era uma fome secular... e foi preciso largar tudo, o amor, a poesia, o cigarro. Porque já contavam alguns dias de jejum e o outro à gritar: _Essa moça tá diferente... já não me conhece mais!!

__Vai, isso vai desembestar

__te mamo
__te amoro
__te adorothy

__nunca mostrei junto...
__ta, tu compila daí, que eu compilo daqui

__vai ficar bom essa bagaça
__"A névoa, a dança e o jejum"

__PERFEITO.



Ana F


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

sobre médicos e monstros...














Tenho andado com Dr Jekyll and Mr Hyde,
convivendo com pessoas bonitas e imprevisíveis.
Ok, adoro mistérios.(but,) as múltiplas personas
que me habitam já me bastam, tamanha confusão interna.

Enigmas diários me cansam;
Nível do quebra-cabeça: 'só pra gênio'
_ deveria constar no rótulo-testa de alguns_
O que não diminui o brilhantismo deles.

Mas não alcanço tal altura, não me cabe.
Lindos, venham. Mas tragam o manual.
Parece impossível transitar entre o deslumbre, o apaixonamento,
and suddenly o desencando e a decepção.

Minha inteligência emocional está obsoleta; 
ou entro em curto-circuito, ou ev
ito surpresas:
desapareço.


Ana F

HÁ VAGAS





Procura-se:
gente que sente, que não se contém,
que explode de emoção
adictos em dopamina, com predileção
por estados mórbidos
de paixão e sentimentos tortos

Precisa-se:
gente de alma espontânea, limpa, inteira
aberta a demonstrações públicas de afeição e
exposição ao ridículo sem medo

Prefere-se:

quem curte uma putaria, gente sem vergonha
de dizer palavrões ou sentir secreções,
com experiência em fetiches impróprios
e práticas sado-masô

Exige-se:
que seja visceral pra chorar, rir e beber
que esteja pronta pra tudo
o que ninguém imagina
e deixe a inocência
na pior esquina.

Paga-se mal, mas diverte-se bem.


Ana F

sob a roupa ou do que não se vê à olho cru



me disse

 _tu é bonita, né..?!

 e (olhos fechados)
 

a mão espalmada
em volta de
cada costela

mediu-me 

da crista
ilíaca ao 

tendão calcâneo 


Ana F